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A vez da turma de 2020

Jovens falam do desafio de terminar a faculdade e buscar espaço no mercado de trabalho em meio a uma pandemia.

 

 Alguns estão finalizando a faculdade e sentem a pressão de conquistar uma vaga de emprego em meio à pandemia. Outros mal acabaram de chegar à universidade e tiveram de interromper as aulas por causa do isolamento social. Mais novos, os que estão no período de estudar para o Enem e escolher um curso também sentem os impactos de passar por um momento importante de transição de vida quando nada está exatamente normal. São várias as turmas de 2020. Jovens e adolescentes que precisam de motivação e resiliência para seguir rumo ao futuro. Até porque uma certeza existe: cada geração lida com seus desafios. E é possível superá-los com orientação, inspiração e garra.

Na hora da formatura, a pandemia. O que fazer agora?

Jovens que estão saindo da universidade tentam manter o otimismo diante de mercado de trabalho incerto e desanimador


Terminar a faculdade e começar a vida profissional é geralmente um momento marcado por incertezas e ansiedades. Mas para os universitários que estão se formando em 2020, em meio a uma pandemia, essa fase está se mostrando ainda mais difícil: além de não terem a cerimônia dos sonhos, com becas, canudos e a família reunida, esses formandos terão pela frente um mercado de trabalho desanimador.

A estudante de Direito Anna Valéria Licarião, que termina o curso na FMU neste mês, tem ficado bastante apreensiva com a situação. “O choro tem sido comum. Começar a carreira sem saber o que fazer, e na incerteza se vai dar certo ou não, é desesperador”, diz ela, que tem 23 anos e está nas suas últimas semanas de estágio em um escritório de advocacia, sem saber ainda se será efetivada. Depois que começou a pandemia, Anna se mudou temporariamente de São Paulo para a casa dos pais em Lorena, no interior do Estado.  “Muita gente que está se formando agora está passando por esse medo”, afirma.

No caso de Vinicius Martins, que acabou de se formar em Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em uma cerimônia online, o período de formatura teve uma quebra de expectativa: depois de ter sido contratado em fevereiro na área de logística de uma grande varejista, e ter saído da faculdade da melhor forma possível (com um emprego), ele foi demitido em maio em decorrência da crise gerada pela pandemia.

“Foi muito frustrante. Estava animado que tinha conseguido”, afirma o jovem de 25 anos, que mora em uma comunidade no Rio e trabalhou como Uber durante a faculdade para ajudar na renda em casa. “Estou pensando também em trabalhos autônomos. Por enquanto, reduzi ao máximo os custos, cancelei até o plano de celular, para ficar só no wi-fi em casa”, conta. Nas últimas semanas, a página inicial do navegador de Vinicius virou um site de busca por vagas de emprego.

Renan Pieri, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que essa nova geração de jovens que está se formando agora encontrará um mundo com menos vagas de trabalho. “O mercado de trabalho para o jovem é sempre mais difícil, porque os empregadores buscam contratar profissionais com mais experiência. Em crises, a tendência inicial é o jovem perder o emprego, uma vez que as empresas preferem manter os trabalhadores experientes, que são mais caros para demitir e têm um conhecimento necessário para a empresa continuar produzindo”, diz Pieri. Ele explica que nesse período de pandemia as contratações também foram fortemente afetadas, o que é um problema grave para os jovens que estão tentando entrar no mercado: de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), as admissões em empregos formais diminuíram 56% em abril de 2020, se comparado com o mesmo mês do ano passado.

Perspectiva. Para Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em recrutamento para início de carreira, esse cenário vai exigir que os recém-formados se abram para diferentes oportunidades. “Talvez não seja o momento de conseguir o emprego dos sonhos, pode ser que seja a hora de conseguir um bom trabalho que possa te remunerar. Além disso, os jovens não devem perder a confiança, e precisam entender que o problema não é com eles, mas algo muito maior”, diz.

A estudante de Direito Anna está tentando manter o pensamento nesse sentido. “Mesmo que eu esteja bastante ansiosa, sei que essa situação não depende só de mim. Por isso tento manter o otimismo de que a gente vai sair desse cenário e de que vai dar tudo certo”, afirma.

Na visão da psicóloga Caioá Lemos, especialista em orientação profissional, esses jovens, apelidados de geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), também vão precisar exercitar a resiliência. “Eles são nativos digitais e se acostumaram a ter tudo pronto na mão: pedem comida pelo celular e ela chega em meia hora. Eles têm essa dificuldade de esperar, e isso vai ser um desafio”, explica.

Essa geração de nativos digitais tem dificuldade de esperar, e isso vai ser um desafio” Caioá Lemos, especialista em orientação profissional

No caso especificamente dos formandos que estão desempregados, Miguel Perosa, professor de Psicologia da PUC-SP, aponta que é importante não perder de vista o futuro profissional. “Esses jovens precisam se enxergar como futuros profissionais e pensar o que eles podem fazer hoje para incrementar a carreira, como cursos, por exemplo.” É este caminho que o carioca Vinicius, que foi demitido durante a pandemia, está tentando: ele começou a fazer cursos online gratuitos na área de programação, e participa de projetos voluntários pela internet.

Fechando ciclos. Outra questão aflitiva para esses jovens é a transição abrupta da faculdade para o mundo profissional. A estudante de Jornalismo Gabriela Silva Leite, de 22 anos, que se forma no final de 2020, conta que a pandemia transformou o seu último ano de faculdade. “Mesmo que eu esteja fazendo aulas online e o trabalho de conclusão de curso, como tudo é remoto, dá a sensação de que não estou fazendo faculdade e de que ficou um buraco nessa conclusão. Acabo sentindo insegurança e fico me questionando se eu me formei de verdade ou não e se estou de fato preparada para o mercado de trabalho”, diz.

Dentro disso, as cerimônias presenciais também foram obrigadas a mudar: algumas colações de grau estão acontecendo online, enquanto bailes estão sendo adiados para não se sabe quando. Para Miguel Perosa, da PUC-SP, isso é uma perda para os jovens. “Em todo ritual você sai diferente da forma que entrou. Quando um jovem se forma na faculdade, ele entra aluno e sai profissional. Acabamos perdendo essa passagem bonita que nós humanos inventamos para você se sentir em outro estado”, diz.

Sem a possibilidade de fazer a formatura online, alunos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) deram um jeito de a data não passar em branco: eles fizeram uma colação de grau online dentro do jogo Minecraft, onde é possível criar ambientes virtuais - mais de 70 alunos participaram, e os professores também aderiram à ideia. Caio Eduardo Meirelles, um dos formandos de Ciência da Computação, conta que a experiência não foi a mesma de uma cerimônia presencial, mas acabou sendo emocionante. “Fico triste de não ter me despedido dos amigos direito, mas isso vamos resolver um dia, quando tudo se acalmar, em um churrasco da turma. No Minecraft foi um fim diferente, mas foi um fim”, diz.

Esse é justamente um ponto forte desses jovens, afirma a psicóloga Caioá Lemos: “A juventude tem muita flexibilidade e em situações de crise eles costumam pensar fora da caixa e se adaptar melhor do que os mais velhos”.

Entrevista concedida à Jornalista Giovanna Wolf para o jornal O Estado de São Paulo em 07/06/2020. Leia o texto na íntegra em: https://www.estadao.com.br/infograficos/saude,a-vez-da-turma-de-2020,1099569

Fonte da imagem: Windows/ Unsplash.com

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