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O que é sucesso para você?


Podemos questionar as receitas de felicidade e encontrar a nossa própria forma de ter mais sentido e satisfação naquilo a que nos dedicamos. 

Lembro-me de como aquela demissão abrupta pareceu me empurrar escada abaixo, caindo junto comigo o sonho de chegar ao topo e ser bem sucedida na minha desafiadora profissão. 

Ali, me sobrou frustração e faltou ânimo para retomar os degraus difíceis de subir que pareciam reservar satisfação e realização aos que conseguem escalar o sucesso.

Talvez você já tenha se sentido assim, como eu. Pois desde muito cedo somos domesticados a aspirar a um determinado padrão de sucesso, geralmente associado a ter bens materiais (a casa própria, um carro novo, viagens todos os anos), uma boa posição social e reconhecimento público por uma carreira bem sucedida.

As etapas socialmente construídas nos sujeitam a seguir um roteiro bastante rígido ou pode ser, de repente, tarde demais para ser feliz.

Você deve formar-se em uma faculdade, arrumar um emprego, ter salário bom, férias remuneradas, décimo-terceiro, bonificações, planos – de saúde, de carreira, de futuro, além de filhos bem-criados. E tudo isso dentro de um prazo considerado adequado.

O problema dessa tal fórmula de sucesso é que talvez ela não seja sua fórmula, o seu jeito de ter sucesso e, sobretudo, de ser feliz. Aí, sem tomar consciência disso, vivemos tentando caber nessas medidas preestabelecidas, ainda que bem apertadinhos e sem espaço suficiente para manifestar nossas potencialidades.

Foi quando entendi que não me encaixava nos moldes do sucesso da maioria que senti o sabor de viver com liberdade.

Há quem encare demissão, desemprego, fracasso como pequenos deslizes ou desvios de rota capazes de gerar oportunidades de mudança e desenvolvimento, ou simplesmente erros de percurso.

Pois aquela demissão significou uma pausa para refletir o que fazia sentido, de verdade, para mim. Embora sem respostas absolutas, sabia que os padrões do que é considerado bem-sucedido não são fixos. E tampouco o fracasso precisa ter essa carga definitiva e radical.

Sem sequer conhecer as ideias de Charles Pépin, senti que o erro podia me guiar a entender meus desejos mais profundos. Pois esse filósofo francês defende o fracasso justamente como uma experiência humana capaz de ajudar a nos reorientar e a nos reinventar.

Em vez de negar os erros - já que cometê-los é inevitável - podemos mudar nossa atitude em relação ao desapontamento, e aprimorar nossa capacidade de análise e correção para as novas situações que surgirão. Ou seja, experiências negativas podem guardar questionamentos e perspectivas inéditas. Além de desvendar o que, de fato, queremos.

 

O sucesso é particular

Errar dentro desses moldes rigorosos de sucesso e aprovação só confirma o problema da nossa sociedade em ser incapaz de aceitar falhas. Fracassar, afinal, deveria estar acompanhado da vontade de ser corajoso e original, pondera Pépin.

Mas ao ruírem as nossas certezas mais arraigadas graças a um fracasso, está inaugurado um espaço para criar ideias mais livres. Assim, deixando para trás a crença de sucesso ligado a êxitos soberbos, podemos acolher as necessidades e expectativas que cada um carrega consigo, experimentando a a sua receita pessoal de sucesso.

Nesse movimento de repensar aquilo que importa, muitos podem perceber que ser bem-sucedido talvez signifique mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. E que qualidade de vida de não é sinônimo de plano de saúde, mas tempo para cultivar paixões e talentos que elevem a alma.

Saindo do piloto automático, podemos nos permitir olhar o que verdadeiramente queremos, longe das convenções e receituários de felicidade. Os formatos são infinitos – e só você poderá dizer qual é o seu.

Mas todos, em alguma medida, implicam uma dose de coragem para contrariar o sistema e não depender da necessidade de aprovação dos que estão por perto. E tem algo muito genuíno que só o resgate das nossas verdadeiras vocações releva.

“Quando interesses e habilidades caminham juntos, temos um fator positivo na busca de realização”, comenta Caioá Lemos, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano e especialista em orientação Vocacional.

Caioá também sugere uma mudança de perspectiva essencial: em vez de usar a palavra sucesso, deveríamos preferir realização ou satisfação profissional. “Afinal, elas se aproximam mais de um sentido de resposta a anseios pessoais que variam para cada um.”

Fazer o que se gosta tem mais chances de dar certo, mas também vale uma revisão, de tempos em tempos, para saber se as mudanças em curso dentro da gente ainda fazem sentido em nossas escolhas profissionais.

“Por isso, o sucesso seria apenas um efeito colateral da realização de sentido na vida, a principal motivação”, pontua Thiago Antonio Avellar de Aquino. Ele é doutor em Psicologia Social e conselheiro da Ablae, a Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existência, abordagens psicoterapêuticas fundamentadas pelo neuropsiquiatra Viktor Frankl (1905-1997).

Thiago reforça a ideia de que sucesso não deveria ser a finalidade. “Ela é uma consequência adicional da dedicação a uma causa ou a um trabalho que foi, a princípio, compreendido como algo significativo. E que trouxe realização com o que se conquistou com seu próprio esforço”, afirma.

Estamos enganados em busca do sucesso futuro enquanto deveríamos focar no que traz genuína alegria. Qualquer atividade, se receber nossa energia canalizada para que dê certo e ponha em movimento a paixão mais particular que trazemos conosco, guarda a potência de devolver satisfação.

Por isso ele enfatiza: “Cada ser humano deve ser a sua própria medida”. Nesse lugar, deixamos as comparações de lado e contemplamos nossos próprios feitos. Saímos desse sucesso único e conformista para uma forma mais criativa e flexível, com altos e baixos, erros e acertos.

E aquela receita vazia vai sendo substituída por uma sensação de bem-estar existencial ao nos dedicarmos aos quase invisíveis sucessos conquistados dia a dia.

Entrevista concedida para a jornalista Laís Barros Martins para a Revista Vida Simples, Edição 221, ano 2020. (Material impresso).


Fonte da imagem: Bruce Mars/ Unsplash.com

 

 

 

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